Teste seus conhecimentos através do quiz abaixo. Ele inclui todas as questões objetivas da última prova do Enade para o curso de História. Ao final, confira o resultado.
Questão 1 (formação geral)

O escritor Machado de Assis (1839-1908), cujo centenário de morte está sendo celebrado no presente ano, retratou na sua obra de ficção as grandes transformações políticas que aconteceram no Brasil nas últimas décadas do século XIX. O fragmento do romance Esaú e Jacó, a seguir transcrito, reflete o clima político-social vivido naquela época.

Podia ter sido mais turbulento. Conspiração houve, decerto, mas uma barricada não faria mal. Seja como for, venceu-se a campanha. (...) Deodoro é uma bela figura. (...) Enquanto a cabeça de Paulo ia formulando essas idéias, a de Pedro ia pensando o contrário; chamava o movimento um crime. — Um crime e um disparate, além de ingratidão; o imperador devia ter pegado os principais cabeças e mandá-los executar. ASSIS, Machado de. Esaú e Jacó. In:_. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1979. v. 1, cap. LXVII (Fragmento).

Os personagens a seguir estão presentes no imaginário brasileiro, como símbolos da Pátria.







Questão 2 (formação geral)

Quando o homem não trata bem a natureza, a natureza não trata bem o homem.

Essa afirmativa reitera a necessária interação das diferentes espécies, representadas na imagem a seguir.



Depreende-se dessa imagem a






Questão 3 (formação geral)

A exposição aos raios ultravioleta tipo B (UVB) causa queimaduras na pele, que podem ocasionar lesões graves ao longo do tempo. Por essa razão, recomenda-se a utilização de filtros solares, que deixam passar apenas uma certa fração desses raios, indicada pelo Fator de Proteção Solar (FPS). Por exemplo, um protetor com FPS igual a 10 deixa passar apenas 1/10 (ou seja, retém 90%) dos raios UVB. Um protetor que retenha 95% dos raios UVB possui um FPS igual a






Questão 4 (formação geral)

CIDADÃS DE SEGUNDA CLASSE?

As melhores leis a favor das mulheres de cada país-membro da União Européia estão sendo reunidas por especialistas. O objetivo é compor uma legislação continental capaz de contemplar temas que vão da contracepção à eqüidade salarial, da prostituição à aposentadoria. Contudo, uma legislação que assegure a inclusão social das cidadãs deve contemplar outros temas, além dos citados.

São dois os temas mais específicos para essa legislação:






Questão 5 (formação geral)

A foto a seguir, da americana Margaret Bourke-White (1904-71), apresenta desempregados na fila de alimentos durante a Grande Depressão, que se iniciou em 1929.



Além da preocupação com a perfeita composição, a artista, nessa foto, revela






Questão 6 (formação geral)







Questão 7 (formação geral)



Apesar do progresso verificado nos últimos anos, o Brasil continua sendo um país em que há uma grande desigualdade de renda entre os cidadãos. Uma forma de se constatar este fato é por meio da Curva de Lorenz, que fornece, para cada valor de x entre 0 e 100, o percentual da renda total do País auferido pelos x% de brasileiros de menor renda. Por exemplo, na Curva de Lorenz para 2004, apresentada ao lado, constata-se que a renda total dos 60% de menor renda representou apenas 20% da renda total. De acordo com o mesmo gráfico, o percentual da renda total correspondente aos 20% de maior renda foi, aproximadamente, igual a






Questão 8 (formação geral)

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche(1844-1900), talvez o pensador moderno mais incômodo e provocativo, influenciou várias gerações e movimentos artísticos. O Expressionismo, que teve forte influência desse filósofo, contribuiu para o pensamento contrário ao racionalismo moderno e ao trabalho mecânico, através do embate entre a razão e a fantasia. As obras desse movimento deixam de priorizar o padrão de beleza tradicional para enfocar a instabilidade da vida, marcada por angústia, dor, inadequação do artista diante da realidade. Das obras a seguir, a que reflete esse enfoque artístico é







QUESTÃO 11

Na primeira metade do século XX, Jonathas Serrano, professor de História do Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, já percebia a importância do uso das imagens no ensino de História, afirmando que elas ajudariam os alunos a aprender “pelos olhos”. Atualmente, em tempos de grande valorização da imagem e de maiores facilidades para a sua difusão, discute-se a sua utilização no ensino de História, em suas mais diversas modalidades. Como orientação metodológica, para que o professor use a imagem em sala de aula, o que se deve recomendar que ele considere?






QUESTÃO 12

O nascimento dos Annales marca profundamente a reflexão dos historiadores tanto acerca da sua área de estudos como acerca do seu trabalho. O programa intelectual de que a revista é porta-voz surge, assim, novo, agressivo. Organiza-se em torno de uma proposta central: a urgência em fazer sair a História do seu isolamento disciplinar, a necessidade de que esteja aberta às interrogações e aos métodos das outras ciências sociais. REVEL, Jacques. A invenção da sociedade. Lisboa: Difel, 1990. p. 17-18. Conforme o trecho acima, a proposta de renovação historiográfica dos fundadores dos Annales opunha-se a um fazer historiográfico que encerrava a história num campo limitado de atuação, identificado à chamada escola metódica. Pode-se afirmar que essa oposição, naquele momento, apresentou as características a seguir.

I - Desvalorização dos eventos de natureza política, por serem insuficientes para explicar os processos históricos por si mesmos.
II - Defesa da interdisciplinaridade como forma de dotar a história de instrumentos mais eficazes para a análise dos complexos processos sociais.
III - Desenvolvimento de um novo programa de pesquisa, baseado na micro-história, em oposição à história política tradicional.
IV - Rejeição aos métodos de pesquisa empírica e ao uso maciço dos documentos, vistos como procedimentos anacrônicos.
São corretas APENAS as características






QUESTÃO 13

Enfim, eu tentava ver como um acontecimento se faz e se desfaz, já que, afinal, ele só existe pelo que dele se diz, pois é fabricado por aqueles que difundem a sua notoriedade. Esbocei, pois, a história da lembrança de Bouvines, de sua deformação progressiva, pelo jogo, raramente inocente, da memória e do esquecimento. DUBY, Georges. O domingo de Bouvines. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993. p.11-12.

Neste trecho, o historiador Georges Duby comenta a natureza de um acontecimento histórico, a Batalha de Bouvines, ent re a França e o Sacro- Impér io, em 1214. Ao analisar a construção da memória deste acontecimento, Duby relaciona história e memória, considerando que a história






QUESTÃO 14

Em sua obra História, Heródoto (484-425 a.C.) narra as Guerras Médicas e menciona as inóspitas e longínquas terras da Cítia, atual Ucrânia. Segundo Heródoto,

A leste (...) chega-se ao território dos citas nômades, que nada semeiam e não lavram terra alguma. Todo aquele território (...) é desprovido de árvores. (...) O inverno é tão rigoroso que durante oito meses do ano o frio é insuportável;(...) o mar congela (...) e os citas (...) passam por cima do gelo e irrompem com seus carros no território dos sindos. (...) [Nos] quatro meses restantes ainda faz frio. Esse inverno é de uma espécie diferente daquele de todas as outras terras; nessa estação, normalmente chuvosa em outras regiões, as chuvas lá são insignificantes, mas durante todo o verão chove ininterruptamente. (...) Heródoto, História. Brasília: UnB, 1988, IV, 19-30.

A partir da citação acima, pode-se identificar algumas est ratégias usadas pelo histor iador grego para nar rar o “outro”. No caso da caracterização dos citas, Heródoto






QUESTÃO 16

Ao estudar o Império Romano na época de Trajano (98-117), o professor propõe a análise iconográfica de um aureus, uma moeda de ouro, detendo-se na efígie e na legenda que a acompanha.



Com base na análise do documento e considerando o domínio dos conhecimentos sobre o Império Romano nos dois primei- ros séculos da era cristã, ao nível de Educação Básica, os alunos podem concluir que:

I- os imperadores romanos usavam as moedas como “imagens em movimento” para propagarem seus feitos político-milita- res e marcarem a presença imperial em todo o território;

II - ocargodePontíficeMáximoeotítulodeAugustoproporci- onavam prestígio político à pessoa do imperador, além de embasarem um sistema de governo teocrático;

III - o cargo de cônsul e o poder de tribuno do imperador eram exercidos no âmbito do sistema republicano de governo tanto em Roma como nas províncias;

IV - a autoridade do imperador provinha da concentração de poderes e funções que já existiam na República e parte de seus cargos eram de natureza eletiva.

São corretas APENAS as conclusões






QUESTÃO 17



A topografia das cidades medievais revela diversos aspectos sobre a vida das sociedades que as habitavam, tais como organização corporativa, devoção religiosa e estratificação social. O detalhe da pintura ao lado retrata a cidade de San Gimignano nos braços de seu protetor, o bispo homônimo da cidade. Naquela época, o centro urbano contava com setenta e duas torres, das quais permanecem quinze hoje em dia. A forma como o documento retrata a organização do espaço urbano explicita que






QUESTÃO 18

Considere os documentos a seguir.



I - os documentos relacionam pobreza, ordens mendicantes e novas maneiras de viver o cristianismo, denunciando a desigualdade social;
II - a pobreza, no texto, é um efeito de transformações socioeconômicas; na imagem, é um meio para realizar a imitação de Cristo, sendo fruto de uma opção voluntária;
III - os documentos apresentam os pobres como os despossuídos de bens materiais: camponeses sem terra e sem trabalho e clérigos que renunciaram à riqueza terrena;
IV - a espiritualidade franciscana, no texto, é relacionada às transformações urbanas; na imagem, ela é positivada como virtude ao lado do branco da Castidade e do vermelho da Obediência.
São corretas APENAS as conclusões






QUESTÃO 19

Um dos aspectos que caracteriza as Cruzadas e a jihad islâmica como guerra santa é uma visão radicalmente espiritual do mundo, em que a alma é mais importante que o corpo, e a vida eterna, com Deus, melhor que a vida terrena. Qual das frases explicita esse aspecto?






QUESTÃO 20

Retiraremos do discurso em que, a 15 de março de 1844, Lord Ashley apresentou a sua moção sobre a jornada de 10 horas à Câmara dos Comuns alguns dados que não foram refutados pelos industriais sobre a idade dos operários e a proporção de homens e mulheres. (...) Sobretudo o trabalho das mulheres desagrega completamente a família; porque, quando a mulher passa cotidia- namente 12 ou 13 horas na fábrica e o homem também trabalha aí ou em outro emprego, o que acontece às crianças? Crescem, entregues a si próprias como a erva daninha, entregam-nas para serem guardadas fora (...), e podemos imaginar como são tratadas. É por essa razão que se multiplicam de uma maneira alarmante, nos distritos industriais, os acidentes de que as crianças são vítimas por falta de vigilância. (...) As mulheres voltam à fábrica muitas vezes três ou quatro dias após o parto, deixando, bem entendido, o recém-nascido em casa. (...).

ENGELS, Friedrich. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. São Paulo: Global, 1986. p. 170-171.

Os dados apresentados por Engels no texto escrito em 1845 referem-se a alguns dos efeitos da Revolução Industrial na Inglaterra.

Com base nessas informações, conclui-se que, ao longo do século XIX, a incorporação da mulher ao mercado de trabalho






QUESTÃO 21





Na análise do mapa e do gráfico sobre o ritmo do tráfico negreiro, conclui-se que,







QUESTÃO 22

O mercantilismo foi definido e batizado por seus adversários. (...) Denunciando no mercantilismo o triunfo dos interesses egoístas dos mercadores, ignoraram que era também um sistema manufatureiro, agrícola, e toda uma concepção do poder estatal. (...) Do século XVI ao XVIII, ninguém se declarou mercantilista, e não existe nenhuma profissão de fé que permita classificar por comparação os escritos e as práticas econômicas do tempo. (...) Não existe definição comum do mercantilismo e de seus caracteres fundamentais. Nenhum ministro se proclamou mercantilista (...). O mercantilismo, enquanto sistema de pensamento e de intervenção, foi definido pelos liberais do fim do século XVIII, para designar e desqualificar aqueles cujos argumentos e práticas repudiavam.

DEYON, Pierre. O mercantilismo. 4a ed. 1a reimpr. São Paulo: Perspectiva, 2004. p. 10-11; 46.

De acordo com o texto, o mercantilismo pode ser entendido como

I - um aspecto da crítica iluminista ao Antigo Regime;
II - uma noção inventada pelos adversários do intervencionismo estatal na economia;
III - um conjunto articulado de práticas econômicas defendidas por economistas do século XVII;
IV - uma política comercial metalista adotada pelos Estados absolutistas europeus da Idade Moderna.

São interpretações corretas do texto APENAS






QUESTÃO 23



...o fato maior do século XIX é a criação de uma economia global única, que atinge progressivamente as mais remotas paragens do mundo, uma rede cada vez mais densa de transações econômicas, comunicações e movimentos de bens, dinheiro e pessoas ligando os países desenvolvidos entre si e ao mundo não desenvolvido.[...] Sem isso não haveria um motivo especial para que os Estados europeus tivessem um interesse algo mais que fugaz nas questões, digamos, da bacia do rio do Congo, ou tivessem se empenhado em disputas diplomáticas em torno de algum atol do Pacífico. Essa globalização da economia não era nova, embora tivesse se acelerado consideravelmente nas décadas centrais do século.

HOBSBAWM, Eric. A Era dos Impérios. 1875-1914. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988. p. 95.



Para Hobsbawm, o que caracteriza a expansão imperialista européia no século XIX?






QUESTÃO 24

Nenhum Congresso dos Estados Unidos já reunido, ao examinar o estado da União, encontrou uma perspectiva mais agradável do que a de hoje [...] A grande riqueza criada por nossa empresa e indústria, e poupada por nossa economia, teve a mais ampla distribuição entre nosso povo, e corre como um rio a servir à caridade e aos negócios do mundo. As demandas da existência passaram do padrão da necessidade para a região do luxo. A produção que aumenta é consumida por uma crescente demanda interna e um comércio exterior em expansão. O país pode encarar o presente com satisfação e prever o futuro com otimismo. Presidente dos Estados Unidos Calvin Coolidge, Mensagem ao Congresso, 04 dez. 1928.

As nossas dificuldades, graças a Deus, apenas se referem a coisas materiais. Os preços desceram a níveis inimagináveis; os impostos subiram; a administração sofre graves reduções de receitas, a todos os níveis; os meios de trocas estão bloqueados nos canais congelados do comércio; as folhas mortas das indústrias juncam o solo por toda a parte; os rendeiros não encontram mercados para os seus produtos; desapareceram as economias amealhadas durante numerosos anos por milhares de famílias. A nossa grande obrigação, a primeira, é fazer voltar o povo ao trabalho [...]. Discurso do Presidente dos Estados Unidos Franklin Roosevelt, 1933.

Sem ele [o colapso econômico entre as guerras], com certeza não teria havido Hitler. Quase certamente não teria havido Roosevelt. É muito improvável que o sistema soviético tivesse sido encarado como um sério rival econômico e uma alternativa possível ao capitalismo mundial. [...] O mundo do século XX é incompreensível se não entendermos o impacto do colapso econômico. HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX: 1914- 1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 90-91.

Apenas cinco anos separam a mensagem do presidente republicano Calvin Coolidge e o discurso do presidente democrata Franklin Roosevelt. Ambos apresentaram avaliações bastante distintas acerca da realidade econômico-social pela qual passavam os Estados Unidos da América. O texto de Eric Hobsbawm permite entender um pouco melhor as avaliações dos presidentes.

Nesse contexto, analise as afirmativas a seguir.

I - O New Deal representou uma mudança significativa no modelo tradicional de economia de mercado praticada pelos norte-americanos.

II - A Grande Depressão atingiu todos os países que mantinham algum tipo de relação com os Estados Unidos da América, como a Inglaterra, a França, a União Soviética e o Brasil.

III - A Grande Depressão foi um dos fatores que colaboraram para a construção de discursos críticos sobre o modelo liberal-democrático.

IV - A Grande Depressão, no Brasil, atingiu os setores agrícola e industrial, devido à falta de investimento externo norte-americano.

Estão corretas APENAS as afirmações







QUESTÃO 25



Após apresentar as imagens, o professor introduziu o debate acerca das disputas entre Estados Unidos e União Soviética sobre a memória da 2a Guerra Mundial. Com base na análise das imagens e no encaminhamento sugerido pelo professor, conclui-se que:

I - a manchete da revista Time reitera a idéia transmitida pela foto do soldado soviético;

II - a edição especial da revista Time busca ressaltar a importância do “Dia D” para a derrota de Hitler;

III - os dois documentos servem ao objetivo de minimizar a importância dos esforços conjuntos dos aliados para a vitória final sobre Hitler;

IV - a foto do soldado soviético denuncia o golpe de Estado promovido pelo Exército Vermelho com o intuito de instalar o comunismo na Alemanha.

Estão corretas APENAS as afirmativas







QUESTÃO 26

No seu nascedouro, a palavra “descolonização” já vem carregada de ideologia, parecendo definir um destino histórico dos povos colonizados: depois de ter colonizado, o europeu “descoloniza”, estando, pois, implícita a vontade do país colonizador de abrir mão de pretensos direitos adquiridos em determinado momento. A generalização do termo implica, de certa forma, uma interpretação eurocêntrica da História, ou seja, a noção de que só a Europa possui uma história ou é capaz de elaborá-la. Os outros não têm história: nem passado a ser contado nem futuro a ser elaborado. LINHARES, Maria Yedda Leite. Descolonização e lutas de libertação nacional. In: REIS FILHO, Daniel Aarão; FERREIRA, Jorge; ZENHA, Celeste (orgs.). O século XX. O tempo das dúvidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000. 3 v. Vol. 3: p. 41.

Nas décadas de 1950 e 1960, as reivindicações das ex-colônias africanas e asiáticas resultaram em alterações na dinâmica bipolar do sistema internacional da Guerra Fria. Por meio do Movimento de Países Não-Alinhados (MPNA), os países do “Terceiro Mundo” buscaram (re)escrever a sua história e elaborar projetos próprios para o futuro. A respeito da descolonização do mundo afro-asiático e da formação do Terceiro Mundo, constata-se que:






QUESTÃO 27

A economia brasileira sofre transformações na primeira metade do século XX, conforme se observa nas Tabelas 1 e 2.



A análise das tabelas acima possibilita identificar que

I - a taxa de crescimento do PIB manteve-se estável durante as décadas de 1930 e 1940;

II - a indústria brasileira se equipou significativamente durante a primeira metade da década de 1920 e o período de 1933 a 1936;

III - o setor de serviços, incluindo o governo, ocupou sempre um papel de destaque no PIB, durante a primeira metade do século XX;

IV - a participação do setor agrícola no PIB manteve-se estável na primeira metade do século XX, o mesmo não acontecendo com a indústria.

Estão corretas APENAS as afirmações






QUESTÃO 28



As recomendações de Araújo Porto Alegre, então diretor da Academia Imperial de Belas Artes, a Victor Meirelles, no trecho da carta transcrita, por ocasião da pintura do quadro Primeira missa no Brasil, expressam, no que se refere à identidade nacional brasileira, em meados do século XIX, a preocupação de






QUESTÃO 29

É de lá [dos estados] que se governa a República, por cima das multidões que tumultuam, agitadas, nas ruas da capital da União. (...) A política dos estados (...) é a política nacional. SALES, Campos. Da Propaganda à Presidência. São Paulo: s. ed., 1908, p. 252.

O governo federal entregava cada um dos estados à facção que dele primeiro se apoderasse. Contanto que se pusesse nas mãos do presidente da República, esse grupo de exploradores privilegiados receberia dele a mais ilimitada outorga, para servilizar, corromper e roubar as populações. Rui Barbosa apud LESSA, Renato. A Invenção Republicana: Cam- pos Sales, as bases e a decadência da Primeira República Brasileira. Rio de Janeiro, Topbooks, 1999. p. 154.

A historiografia brasileira caracteriza o governo de Campos Sales (1898-1902) como o período de construção de práticas de estabilização política do regime republicano. Os testemunhos de Campos Sales e Rui Barbosa apresentam uma dessas práticas, a política dos estados, que pode ser entendida como






QUESTÃO 30

Diante do empreendimento de tamanha magnitude, como o que estamos aqui realizando, não posso ocultar o meu entusiasmo patriótico e a minha confiança na capacidade dos brasileiros. O que representam as instalações da usina siderúrgica de Volta Redonda, aos nossos olhos deslumbrados pelas grandiosas perspectivas de um futuro próximo, é bem o marco definitivo da emancipação econômica do país. Aqui ele está plantado, em cimento e ferro, desafiando ceticismos e desalentos [...]. VARGAS, Getúlio. Volta Redonda e a capacidade construtiva dos brasileiros, 1943, A nova política, v. 10, Rio de Janeiro: José Olympio, 1938-1947, p. 54.

A Companhia Siderúrgica Nacional (1941) é um dos resultados da forma como o Governo de Vargas, entre 1930 e 1945, enfrentou o problema da infra-estrutura no Brasil, que envolvia principalmente três questões: o petróleo, a siderurgia e a energia elétrica.

PORQUE

Questões relativas a petróleo, siderurgia e energia elétrica eram entendidas pelo governo como fundamentais para a promoção do desenvolvimento industrial brasileiro que viria após a crise internacional, marcada pela quebra da bolsa de valores de Nova Iorque e a Segunda Guerra Mundial. Analisando as afirmações acima, conclui-se que






QUESTÃO 31


A imagem corresponde a uma representação recorrente de Tiradentes, cultuado oficialmente como herói republicano desde 1890. Ela resulta de uma construção historiográfica e política do personagem, que encontrou grande receptividade junto à população a partir do século XX. Uma das características dessa representação, que ajuda a explicar essa receptividade e a força de Tiradentes no imaginário brasileiro,






QUESTÃO 32

Numa aula sobre a estrutura política do Império brasileiro, o professor apresentou a seus alunos o trecho da Constituição de 1824 e a charge reproduzidos abaixo.



Depois de pedir aos alunos que lessem os artigos da Constituição selecionados, o professor apresentou a charge acima, com as devidas ressalvas quanto ao anacronismo presente na caricatura. A seguir, sugeriu à turma que relacionasse a Constituição de 1824 à interpretação da charge. Ao final da aula, os alunos resumiram suas discussões às quatro afirmações apresentadas abaixo.

I - A charge confirma a Constituição de 1824, que garante amplos poderes ao Imperador.

II - A charge contesta o texto da Constituição, que estabelece a submissão do Estado à Igreja.

III - A charge contraria o texto da Constituição, que afirma o caráter Sagrado da pessoa do Imperador.

IV - A charge ratifica o texto da Constituição de 1824, que assegura a supremacia do Poder Moderador sobre os demais poderes.

Estão corretas APENAS as afirmativas






QUESTÃO 33

Documento I

E, segundo que a mim e a todos pareceu, esta gente não lhes falece outra coisa para ser toda cristã, senão entender-nos, porque assim tomavam aquilo que nos viam fazer, como nós mesmos, por onde nos pareceu a todos que nenhuma idolatria, nem adoração têm. E bem creio que, se Vossa Alteza aqui mandar quem entre eles mais devagar ande, que todos serão tornados ao desejo de Vossa Alteza. E por isso, se alguém vier, não deixe logo de vir clérigo para os batizar, porque já então terão mais conhecimento de nossa fé, pelos dois degredados, que aqui entre eles ficam, os quais, ambos, hoje também comungaram. Carta de Pero Vaz de Caminha. In: PEREIRA, Paulo Roberto (org). Os três únicos testemunhos do Descobrimento do Brasil. 2a ed. Rio de Janeiro: Lacerda, 1999. p. 54;57.

Documento II

... nenhuma fé têm, nem adoram a algum deus; nenhuma lei guardam ou preceitos, nem têm rei que lha dê e a quem obedeçam, senão é um capitão, mais pera a guerra que pera a paz. SALVADOR, Frei Vicente do. História do Brasil (1500-1627). Revista por Capistrano de Abreu, Rodolfo Garcia e Frei Venâncio Willeke, OFM. 6 ed. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1975.

A partir da análise desses documentos conclui-se que, no período compreendido entre a produção do primeiro e do segundo,






QUESTÃO 34


Considerando as duas fontes, analise as afirmações a seguir.
I - A política de redistribuição de terras, definida no Estatuto da Terra, equacionou os conflitos no mundo rural.
II - O Estatuto da Terra era um projeto de Estado, que compartilhava a responsabilidade sobre a reforma agrária com os atores do campo.
III - A luta pela reforma agrária, entre os anos 1940 e 1960, contribuiu para a afirmação do trabalhador rural como ator político.
IV - O Hino do Camponês expressa a luta contra o domínio dos latifundiários, caracterizado pela super-exploração do trabalho no campo.
Estão corretas APENAS as afirmações






QUESTÃO 35

Em 1926, Langston Hughes, escritor negro norte-americano, da chamada Renascença do Harlem, escreveu o seguinte poema:


No poema, o autor






QUESTÃO 36

A pintura mural mexicana do século XX caracteriza-se por suas grandes dimensões, sendo exibida em espaços públicos como palácios, bibliotecas, escolas e museus. Abrange temas da história nacional que vão desde o período pré-hispânico até a Revolução Mexicana. Ao trabalhar o tema da Revolução Mexicana iniciada em 1910, um professor do ensino médio propõe aos alunos a análise de duas pinturas do muralismo mexicano.



Após a análise, professor e alunos chegaram a algumas conclusões sobre as pinturas, dentre as reproduzidas a seguir.

I - Revelam disputas na construção de uma memória nacional da Revolução Mexicana.

II - Retratam de maneira semelhante os líderes revolucionários de etapas distintas da Revolução.

III - Contêm variadas simbologias da luta revolucionária mexicana.

IV - Mostram a preponderância da atuação do povo mexicano na Revolução.

Estão corretas APENAS as conclusões






QUESTÃO 37

Essas ilhas são apêndices naturais do continente norte-americano, e uma delas – quase visível a olho nu de nossas costas – tornou-se, por muitas considerações, um objeto de importância transcendente para os interesses comerciais e políticos da nossa União. (...) Entre os interesses daquela ilha e deste país, tais são, certamente, as relações geográficas, comerciais, morais e políticas formadas pela natureza, a cristalizarem-se no processo do tempo, neste momento mesmo alcançando a maturidade, (...) é difícil resistir à convicção de que a anexação de Cuba por nossa República Federal será indispensável à continuidade e à integridade da nossa própria União... Há leis da política como há leis da gravitação física. E se uma maçã, separada de uma árvore nativa pela tempestade, não pode escolher, mas apenas cair no chão, Cuba, por força desligada do seu vínculo não natural com a Espanha, e incapaz de se auto-sustentar, só pode gravitar na direção da União Norte-Americana, a qual, pela mesma lei da natureza, não pode segregá-la do seu seio. Carta de John Quincy Adams, secretário de Estado dos Estados Unidos, a Hugh Nelson, representante norte-americano em Madri, 23 de abril de 1823.

Analisando o texto acima e considerando a política externa norte-americana, conclui-se que









Atenção: a prova inclui ainda seis questões discursivas. Veja os casos aplicados em 2008 e o padrão de respostas que foi divulgado:
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Questão 9 (formação geral) – Leia, com atenção, os textos a seguir.

DIREITOS HUMANOS EM QUESTÃO

O caráter universalizante dos direitos do homem (…) não é da ordem do saber teórico, mas do operatório ou prático: eles são invocados para agir, desde o princípio, em qualquer situação dada.
François JULIEN, filósofo e sociólogo.

Neste ano, em que são comemorados os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, novas perspectivas e concepções incorporam-se à agenda pública brasileira. Uma das novas perspectivas em foco é a visão mais integrada dos direitos econômicos, sociais, civis, políticos e, mais recentemente, ambientais, ou seja, trata-se da integralidade ou indivisibilidade dos direitos humanos. Dentre as novas concepções de direitos, destacam-se:

  • a habitação como moradia digna e não apenas como necessidade de abrigo e proteção;
  • a segurança como bem-estar e não apenas como necessidade de vigilância e punição;
  • o trabalho como ação para a vida e não apenas como necessidade de emprego e renda.

Tendo em vista o exposto acima, selecione uma das concepções destacadas e esclareça por que ela representa um avanço para o exercício pleno da cidadania, na perspectiva da integralidade dos direitos humanos. Seu texto deve ter entre 8 e 10 linhas. (valor: 10,0 pontos)

Questão 10 (formação geral)

Alunos dão nota 7,1 para ensino médio
Apesar das várias avaliações que mostram que o ensino médio está muito aquém do desejado, os alunos, ao analisarem a formação que receberam, têm outro diagnóstico. No questionário socioeconômico que responderam no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) do ano passado, eles deram para seus colégios nota média 7,1. Essa boa avaliação varia pouco conforme o desempenho do aluno. Entre os que foram mal no exame, a média é de 7,2; entre aqueles que foram bem, ela fica em 7,1.
GOIS, Antonio. Folha de S.Paulo, 11 jun. 2008 (Fragmento).

Entre os piores também em matemática e leitura
O Brasil teve o quarto pior desempenho, entre 57 países e territórios, no maior teste mundial de matemática, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2006. Os estudantes brasileiros de escolas públicas e particulares ficaram na 54a posição, à frente apenas de Tunísia, Qatar e Quirguistão. Na prova de leitura, que mede a compreensão de textos, o país foi o oitavo pior, entre 56 nações.
Os resultados completos do Pisa 2006, que avalia jovens de 15 anos, foram anunciados ontem pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE), entidade que reúne países adeptos da economia de mercado, a maioria do mundo desenvolvido.
WEBER, Demétrio. Jornal O Globo, 5 dez. 2007, p. 14 (Fragmento).

Ensino fundamental atinge meta de 2009

O aumento das médias dos alunos, especialmente em matemática, e a diminuição da reprovação fizeram com que, de 2005 para 2007, o país melhorasse os indicadores de qualidade da educação. O avanço foi mais visível no ensino fundamental. No ensino médio, praticamente não houve melhoria. Numa escala de zero a dez, o ensino fundamental em seus anos iniciais (da primeira à quarta série) teve nota 4,2 em 2007. Em 2005, a nota fora 3,8. Nos anos finais (quinta a oitava), a alta foi de 3,5 para 3,8. No ensino médio, de 3,4 para 3,5. Embora tenha comemorado o aumento da nota, ela ainda foi considerada “pior do que regular” pelo ministro da Educação, Fernando Haddad.
GOIS, Antonio e PINHO, Angela. Folha de S.Paulo, 12 jun. 2008 (Fragmento).

A partir da leitura dos fragmentos motivadores reproduzidos, redija um texto dissertativo (fundamentado em pelo menos dois argumentos), sobre o seguinte tema:

A contradição entre os resultados de avaliações oficiais e a opinião emitida pelos
professores, pais e alunos sobre a educação brasileira.

No desenvolvimento do tema proposto, utilize os conhecimentos adquiridos ao longo de sua formação.

Observações
Seu texto deve ser de cunho dissertativo-argumentativo (não deve, portanto, ser escrito em forma de poema, de narração etc.).
Seu ponto de vista deve estar apoiado em pelo menos dois argumentos.
O texto deve ter entre 8 e 10 linhas.
O texto deve ser redigido na modalidade padrão da Língua Portuguesa.
Seu texto não deve conter fragmentos dos textos motivadores. (valor: 10,0 pontos)

Questão 38 (componente específico) – Leia o texto abaixo, para responder à questão.
A história contemporânea, na tradição francesa que remonta ao século XIX, tem início com a Revolução francesa. A história do tempo presente é a que se refere ao passado próximo, aquele no qual existem ainda atores vivos. Antes de explicar o que é esta última, é preciso lembrar que a noção de “contemporaneidade” é tão antiga e tão problemática quanto a própria disciplina da história. (…) De um lado, só há história contemporânea, segundo a célebre afirmação de Benedeto Croce. Um historiador, como qualquer outro indivíduo, fala sempre sobre o passado no presente. Ele reconstitui os discursos e os atos do passado com linguagem, conceitos e preocupações que são as do seu tempo, e ele se dirige a seus contemporâneos. (…) Seu trabalho se inscreve assim em uma dialética, uma tensão entre as palavras do passado e as do presente. De outro lado, o estudo da história do passado próximo remonta às origens da história enquanto empreendimento intelectual. As Histórias de Heródoto ou A guerra do Peloponeso de Tucídides são, em parte, histórias do tempo presente (…). Até os anos 1970, esta história [do tempo presente] era vista com suspeita pelas instâncias acadêmicas. (…) A novidade da situação atual é que esta história é não somente reconhecida enquanto tal, independentemente da qualidade de sua produção, desigual como qualquer outra, como é também fortemente solicitada. (…) A definição de história do tempo presente é a de ser a história de um passado que não está morto, de um passado que ainda está vivo na palavra e na experiência dos indivíduos, portanto, ligado a uma memória ativa e singularmente atuante (…). Esta história é um diálogo entre vivos e mortos, como toda narrativa histórica, mas ela repousa igualmente em um diálogo entre vivos, entre contemporâneos, sobre um passado que ainda não passou inteiramente, mas que já deixou de ser atual.
ROUSSO, Henry. La hantisse du passé. Paris: Éditions Textuel, 1998, p. 50, 57-8 e 63.

A) Na tradição historiográfica, afirma-se que toda história é “contemporânea”. JUSTIFIQUE. (valor: 4,0 pontos)

B) IDENTIFIQUE a especificidade da “história do tempo presente”. (valor: 4,0 pontos)

C) APRESENTE e ANALISE duas razões que explicariam, no momento atual, o crescente interesse das sociedades por uma “história do tempo presente”. (valor: 2,0 pontos)

Questão 39 (componente específico) -  Observe as imagens e leia os textos referentes aos movimentos políticos ocorridos no ano de 1968, para responder à questão.

Texto 1

Surgindo entre as novas gerações um encanto especial pela magia e pelo sortilégio do período histórico que foi condensado naquele ano. (…) Elas parecem estar buscando o presente no passado. (…) Mas as coisas não são tão simples assim: olhar para trás pode ser bom e pode ser ruim. Sem dúvida é positivo (…). Mas, por outro lado, há o risco de achar que se pode reeditar 1968. Em uma palavra, que se pode pegar aquela experiência e repetir. Corre-se o risco de idealizar o passado, de confundir tempo verbal com tempo real, achando que existe na história um pretérito perfeito ou mais-que-perfeito. Como se sabe, nem na vida, nem na história o passado pode tomar o lugar do presente ou do futuro. E 1968 é uma bela lição, mas não é exemplo. Que essas advertências, porém, não tentem tirar de 1968 seu carisma e seus méritos; que não nos façam esquecer seu inesgotável legado político, cultural e comportamental. (…) O que não se discute é a certeza de que algumas das questões atuais germinaram naqueles tempos: o direito das minorias, a importância da causa feminina, a preocupação ecológica, o valor da ética na política, a necessidade de uma causa, um projeto, uma razão de vida. Afinal aqueles jovens que pretendiam fazer a “Grande Revolução” acabaram derrotados politicamente, mas vitoriosos culturalmente. Suas pequenas revoluções nos costumes e comportamentos, na arte e no sexo se fazem sentir até hoje.
Depoimento de Zuenir Ventura, 1998. Retirado de VENTURA, Zuenir. “A nostalgia do não vivido”. In: GARCIA, Marco Aurélio e VIEIRA, Maria Alice (orgs). Rebeldes e contestadores. 1968. Brasil, França e Alemanha. São Paulo: Perseu Abramo, 1999, p. 133-134.

Texto 2

Era maio. O tempo estava muito bonito, é verdade. Não conhecíamos AIDS nem degradação climática nem provações da globalização e do desemprego. Éramos prometéicos. Tudo parecia possível. O futuro nos pertencia. Mas é preciso recordar, também, o que era a sociedade dos anos 1960, o autoritarismo da França de De Gaulle, da Alemanha da época (…). A geração do pós-guerra queria apenas tomar suas vidas nas próprias mãos e libertar-se da camisa-de-força de uma sociedade muito conservadora. (…) Em 1968, lutávamos em nome de alguma coisa. Para alguns, era a Revolução Cultural Chinesa; para outros, era Cuba, e para nós, os anarquistas, era a Guerra Civil Espanhola, os conselhos operários de 1917 (…). Todos os derrotados da história eram nossos heróis. Lutar pela liberdade em nome da Revolução Cultural Chinesa – havia uma contradição terrível encerrada nisso. Nós nos demos conta disso mais tarde. Hoje, felizmente, esse tipo de falso modelo não existe mais. Não se grita mais “Viva Mao!”, “Viva Cuba!” ou “Viva Che!”. Os alter-mundialistas [movimento antiglobalização], por exemplo, se contentam em dizer que um outro mundo é possível. Mas qual? E como chegar lá? É difícil determinar. Em todo caso, 1968 não deve ser visto como modelo. Retenham simplesmente que existem momentos históricos em que alguma coisa explode – um desejo de fazer avançar, de transformar a sociedade -, e que isso pode funcionar.
Entrevista concedida por Daniel Cohn-Bendit ao Nouvel Observateur, publicada no Caderno Mais, Folha de São Paulo, 4 de maio de 2008, p. 14.

A) Caso tais imagens e textos fossem, em conjunto, empregados na realização de aulas para alunos do Ensino Médio, IDENTIFIQUE o objetivo geral do professor ao programá-las. (valor: 3,0 pontos)

B) A partir das imagens 1 e 2 e da interpretação dos testemunhos de Zuenir Ventura (texto 1) e de Daniel Cohn-Bendit (texto 2), CARACTERIZE dois significados dos movimentos políticos de 1968. (valor: 5,0 pontos)

C) A partir da imagem 3, ANALISE uma particularidade das experiências políticas, na Tchecoslováquia, em 1968. (valor: 2,0 pontos)

Questão 40 (componente específico) – Gilberto Freyre foi dos primeiros estudiosos brasileiros a explorar os anúncios de jornal como fontes históricas. Ele mostrou como tais textos nos permitem conhecer as relações sociais existentes em determinado momento e lugar, as características dos trabalhadores e suas condições de trabalho. Considerando esse contexto, leia os anúncios de jornal abaixo.

Aluga-se ou vende-se uma boa escrava, muito prendada, faz crochê, costuras, doces, lava, engoma e cozinha perfeitamente: tem uma filha de oito anos, ingênua; quem a pretender dirija-se à rua Halfeld, n. 32, loja. O Farol, Juiz de Fora, Minas Gerais, 17/04/1883.

Aluga-se duas escravas, um moleque e um rapaz carpinteiro. Quem os pretender dirija-se à rua da Imperatriz, n. 32, Armarinho do Queiroz, junto ao Hotel Português. O Farol, Juiz de Fora, Minas Gerais, 11/10/1883.

Uma família pequena precisa de uma criada de cor, livre ou escrava, que cozinhe perfeitamente o trivial e que saiba com presteza e asseio fazer os arranjos da casa. Para informações (…) rua Direita n. 18. O Farol, Juiz de Fora, Minas Gerais, 02/02/1884.

Precisa-se de um cozinheiro, de conduta afiançada; branco ou de cor, livre ou escravo, para a casa do Dr. Eloy Ottoni, na rua da Imperatriz, n. 8.
O Farol, Juiz de Fora, Minas Gerais, 04/10/1883.

a) IDENTIFIQUE o nome, o local e as datas da fonte histórica utilizada e estabeleça relações entre tais informações e a situação política do sistema escravista no Brasil da época. (valor: 3,0 pontos)

b) Homens, mulheres e também crianças integravam o mercado de trabalho no oitocentos. EXPLIQUE o que era uma criança “ingênua”, como a nomeada no primeiro anúncio. (valor: 2,0 pontos)

c) COMPARE os elementos fornecidos pelo conjunto de anúncios, com o objetivo de CARACTERIZAR o tipo de trabalhadores e as formas de utilização da mão-de-obra, no mercado de trabalho urbano do Brasil de meados da década de 1880. (valor: 5,0 pontos)